Sabe qual é o teu problema?

Elevador: clichê 4 (mas eu curto)

Houve um tempo na minha vida em que eu tinha como objetivo assistir ao máximo possível de comédias românticas. Antes que alguém diga que eu era desocupada e/ou encalhada, aviso logo que não era por aí. A ideia era aproveitar a vasta experiência de uma vida inteira vendo qualquer coisa no cinema ou na TV, e usar isso para algo de bom – uma tese de mestrado, ou, sei lá, ter assunto em mesa de bar. Escolhi a segunda opção, mas não abandonei o gênero. Daí que quando assisto filmes como “A verdade nua e crua”, que estreia nesta sexta-feira no circuitão, fico impressionada com a clara mudança no formato. Prova disso são esses bromances bombando por aí.
Ao contrário do que rolava na minha época de rata de Cinemark, reparo que os homens têm cada vez mais peso nas tramas. Nos filmes, eles estão mais sensíveis – e as mulheres cada vez mais neuróticas. Em “The ugly truth” (no original), Katherine-Izzy-Heigl (“Grey’s anatomy”, néam?) é Abby, uma produtora de TV com uma vida amorosa/sexual tão animada quanto uma festinha de Primeira Comunhão e que tem que baixar seus padrões de qualidade ao se deparar com o bronco Mike (Gerard-THIS IS SPARTA-Butler). O sujeito apresenta um programa de quinta na TV a cabo sobre relacionamentos – e, claro, vai parar na emissora da moça, que acaba ganhando umas dicas do cara sobre como conquistar um gatinho e sair da lisura. Sim, eu adoro fazer sinopses mandando a real.
Clichê um: jornalista com vida amorosa inexistente. A própria Katherine Heigl já encarnou o tipinho em “Ligeiramente grávidos” (aliás, belo exemplo dessa mudança de perfil das comédias românticas, sem contar que Seth Rogen = S2 ). Clichê dois: o macho bronco e ogro também tem coração bão [ / irislene ]. Clichê três: por trás das diferenças existe uma relação de confiança que nenhum dos dois consegue ter com outra pessoa. Sim, desculpaê, eu adoro ver os clichês. A vida é clichê, e acho isso LINDO. Saber encaixar todos é uma arte que aprecio. AI, digressiono.
Mas PERA LÁ, que clichê não é ruim quando é bem feito, sempre digo isso. Derrapadinhas à parte, o filme funciona até direitinho neste novo modus operandi romântico. Sou suspeita porque não consigo lembrar de UM filme do gênero que seja um desastre completo. Tá, eles existem, mas assim de primeira não lembro mesmo.
Um outro lance que eu curti e SUPER ENTENDO (Abby, aceite estas palavras como um abraço) é o lance da mídia popularesca. Quando Mike vai ao ar ao vivo numa piscina de gelatina com gêmeas seminuas (e neste momento o catacorno Google vai trazer dez leitores novos, aposto), Abby surta. “Eu sou uma produtora premiada”, repete como um mantra. Em tempos de mulheres fruta na TV, achei bem oportuno. Obviamente sequer existe uma discussão, mas como repórti que sou, a ficha caiu. Curti.
Pra quem aprecia cenas bestas com piadas de cunho sexual e/ou semi-escatológico, a do restaurante cumpre muito bem a função. Eu ri. Bom, o Pedro, que também estava na sessão (agradecimentos ao Inagaki, que o convidou e a mim, a abeira de plantão) riu e disse que até gostou do filme. Achei um bom sinal. Heh!

2 Respostas to “Sabe qual é o teu problema?”

  1. jiguryo Says:

    Pois é, o lance da banalização do sexo / mulheres da piscina de gelatina parece até semimanso em comparação ao que temos por aqui…

    E a produtora tem um gato. Não esqueça deste detalhe vital :p

  2. Tati Contreiras Says:

    Imagina se a Abby fosse produtora do Domingo Legal na época da piscina do Gugu? Ia morrer, a pobre :D

    Um gato fofo :~

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